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NOVOS PADRÕES DE CONSUMO NO PÓS-PANDEMIA

Por: Marcello Miranda Machado Filho


Essa experiência global que atingiu todos os países alterou drasticamente a dinâmica e a vida das pessoas, seja com o surgimento de novos costumes, diferentes hábitos de higiene, alterações na forma de pensar, mudanças nas relações de trabalho, tudo parece que foi afetado pela pandemia que estamos vivendo.


Inclusive, as relações de consumo também foram impactadas, algumas pessoas passaram a consumir menos, outras passaram a consumir de forma mais consciente e, também temos aqueles que estão loucos para voltar a consumir como antes.


Então, nós da BBX resolvemos mostrar para você algumas tendências de consumo para o pós-pandemia, segundo os especialistas. Claro, ninguém sabe até quando vamos viver esse efeito sanfona de fechamento/abertura pelo mundo afora, mas acreditamos que o empreendedor brasileiro precisa estar preparado para qualquer que seja o cenário.





Consumo digital também é consumo


A primeira coisa que todo mundo entendeu é que naquele dado momento onde ninguém queria nem colocar o pé para fora, era preciso um modo de continuar comprando o que era necessário sem se arriscar. Foi nesse exato momento que todos entendemos que o consumo virtual era uma saída.


Quem já consumia digitalmente, passou a fazer isso para tudo o que fosse necessário, desde a compra do mês até aquele móvel no estilo monte você mesmo. E quem nunca tinha comprado no mundo virtual, se viu quase que obrigado a tentar inovar e testar novas formas de consumo.


Sim, exatamente isso que você leu, segundo dados do relatório Ebit/Nielsen, pouco mais de 7,3 milhões de brasileiros fizeram sua primeira compra na Internet, durante o primeiro semestre de 2020, o que representou um crescimento de 40%, conforme texto publicado no portal da revista Exame.


Além disso, dados da mesma pesquisa confirmam que o faturamento das vendas eletrônicas subiu 47% no primeiro semestre, totalizando 38,8 bilhões de reais e foram feitos mais de 90 milhões de pedidos nesse mesmo período.


Essa informação reforça ainda mais nossa recomendação sobre o uso do mercado virtual, boa parte do brasileiros está ali esperando que o seu negócio seja oferecido para ele, no momento em que ele precisa. A presença da sua marca no mundo digital abre mais uma porta de comunicação direta, ou seja, você fala diretamente com quem quer comprar seus produtos e serviços, além da oportunidade de recolher, naquele mesmo instante, informações importantes sobre hábitos de consumo.


Segundo o SEBRAE, a ideia é que essa presença digital cresça e de fortaleça cada vez mais no pós-pandemia. Oferecendo não só produtos e serviços, mas criando uma comunicação direta e possibilitando novas experiências de consumo para conquistar novos clientes e manter os seus atuais clientes.


Novos atributos de consumo na balança


Um texto publicado pela KPMG, com dados de 2 pesquisas realizadas pela Kantar WorldPanel, revelou que os consumidores passaram a avaliar novos atributos quando decidem comprar em uma determinada loja ou empresa, depois desse período pandêmico de 2020.


Além da influência das compras digitais que já vimos, as pessoas passaram a avaliar a proximidade em relação a sua casa, até por uma questão de conforto, caso ela tenha que ir até a loja, e por uma questão de deslocamento e rapidez do entregador, seja ele da própria loja ou de alguma plataforma de entrega em domicílio.


Outro fator novo que está sendo considerado pelo consumidor é o número de pessoas no local ou até mesmo o horário com maior movimento naquele determinado comércio, o que está relacionado diretamente à facilidade ou não de se manter o distanciamento social. Se uma pessoa pode ir a sua loja em uma hora onde existe menos movimento, provavelmente ela se sentirá mais segura e confortável para fazer suas compras.


Mesmo sem querer, alguns de nós já pensamos nesses fatores e com certeza já comentamos em casa ou com amigos que um estabelecimento estava cumprindo as normas sanitárias com mais afinco enquanto outro não estava “nem com álcool em gel na porta”. E esse é mais um atributo que passou a ser relevante no processo de compra, ou seja, o consumidor passou a verificar quais empresas estão ou não seguindo as recomendações sanitárias.


Isso tudo significa que essa nova experiência pandêmica fez com que atributos já conhecidos se combinassem com novas preocupações. Ninguém nunca gostou de ficar na fila para comprar um produto, mas agora, trata-se de uma questão de segurança sanitária. E, na verdade, vai além disso, se ele pode fazer essa compra online, muito provavelmente ele não irá até uma loja física, ficar em pé em um fila.


Portanto, você como empresário tem que reavaliar suas estratégias, quero que as pessoas voltem às lojas? Ou quero que elas continuem comprando no meu site? Vou fechar as lojas? Como manter empregos se as pessoas passaram a comprar no site? Todos esses questionamentos podem exigir uma análise de estratégia para sua empresa, assim como um processo de gestão de pessoas, com recapacitação dos seus funcionários para atender virtualmente as necessidades dos clientes da sua empresa, que poderão ou não estar no mundo virtual.


Consumo consciente x consumo cautelar


No mesmo estudo, produzido pelo SEBRAE, se vê que a incerteza econômica sobre o cenário atual aliado à preocupação com as questões de bem-estar e saúde também modificaram o comportamento do consumidor. Muitas famílias passaram a redefinir quais eram os seus itens essenciais e o que deveria ser priorizado em termos de compras, muito provavelmente, itens não essenciais passaram a um segundo plano nesse momento.


Essa afirmação é reforçada pelo estudo da KPMG, que identificou que, enquanto no cenário pré-pandemia a escolha do cliente estava pautada na variedade e/ou diversificação de produtos e serviços, hoje, é baseada na disponibilidade dos produtos, assim como na possibilidade de cada cliente em comprar aquele produto ou serviço, naquele exato momento.


Esse tipo de consumo foi denominado como consumo cautelar, segundo estudo da Nielsen, ou seja, as pessoas ajustarão a distribuição de seus gastos dependendo das suas circunstâncias no momento da compra. Para alguns consumidores, as medidas de redução de custos serão cautelares, ou seja, medidas protetivas para a economia doméstica, controle financeiro que poderá ser postergado enquanto a situação econômica mundial não melhorar.


Ao mesmo tempo, esse período proporcionou que pessoas que disfrutam de certa estabilidade econômica pudessem desenvolver um certo censo de consumo consciente, mas preocupados com sua saúde ou com os impactos que o seu consumo afeta o seu entorno ou a sociedade.


O estudo da KPMG afirma ainda que a ligação emocional é fundamental para muitos desses clientes, quando têm que decidir por uma determinada marca, pois 6 em cada 10 pessoas asseguram ser leais a uma marca comprometida com a inovação, a uma causa social ou com o meio ambiente.


Por isso, você empreendedor precisa estar cada vez mais atento aos seus clientes e a forma como a sua empresa se comunica com eles. Se você vende um produto ou serviço que tem como público-alvo pessoas que estão consumindo de forma cautelar, sua oferta deverá se focar em atributos que tragam vantagem para a economia familiar, por exemplo.


Entretanto, se o seu produto ou serviços for para alguém que está mais preocupado com uma consciência social ou ecológica, suas campanhas deverão focar no que você fez pelo planeta, pelo entorno ou pelas pessoas, por exemplo ,no caso de alguma ação social como funcionários, com doações ou com medidas sanitárias tomadas pelas empresas durante e no pós-pandemia.


FONTE

INGIZZA, Carolina. Vendas online no Brasil crescem 47% no 1º semestre, maior alta em 20 anos. Exame, São Paulo, 27/08/2020. Seção PME. Disponível em:

< https://exame.com/pme/e-commerce-brasil-cresce-47-primeiro-semestre-alta-20 nos/#:~:text=O%20t%C3%ADquete%20m%C3%A9dio%20passou%20de,usu%C3%A1rios%20ativos%20no%20e%2Dcommerce>. Acessado em: 26/10/2020

Conheça novos padrões de consumo e tendências do mercado pós-pandemia. Portal Sebrae, São Paulo, 2020. Seção Mercado e Vendas. Disponível em: < https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ufs/pb/artigos/conheca-novos-padroes-de-consumo-e-tendencias-do-mercado-pos-pandemia,d9b41925eef73710VgnVCM1000004c00210aRCRD>. Acessado em: 26/10/2020.

Gambôa, Fernando. A influência da Covid-19 nas novas tendências do consumo varejista na América do Sul. KPMG, São Paulo, 21/07/2020. Seção Insights. Disponível em: <https://home.kpmg/br/pt/home/insights/2020/07/influencia-covid-19-novas-tendencias-consumo-america-sul.html>. Acessado em 27/10/2020.

Dinâmica de consumo recalibrada num mundo alterado pela Covid-19. Nielsen, Cotia, 22/07/2020. Seção FMCG e Varejo. Disponível em: https://www.nielsen.com/br/pt/insights/article/2020/dinamica-de-consumo-recalibrada-num-mundo-alterado-pela-covid-19/. Acesso em: 27/10/2020.



Foto de Lucrezia Carnelos no Unsplash.

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