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Por que as empresas fecham no Brasil?

Atualizado: Jul 21

Os desafios de empreender no Brasil são diversos, o empresário que decide começar um negócio sabe que terá dificuldades, ainda mais nesse novo nosso cenário atual. Mesmo assim, muitas pessoas se lançam nesse mercado motivados basicamente por dois motivos: oportunidade ou necessidade.



Com o objetivo de compartilhar informação e dados relevantes, realizamos esse estudo para analisar as razões pelas quais as empresas podem vir a fechar suas portas e oferecer uma reflexão sobre o empreendedorismo no Brasil, mesmo sob efeito da crise econômica e sanitária que vivemos.

Em uma pesquisa realizada pela Forbes foram avaliadas as declarações de falência de algumas empresas brasileiras onde, ao responder, era possível dar mais de uma resposta para citar o motivo.


As 10 principais razões para o fechamento pela Forbes


Como principal fator, 42% das falências ocorreram por não satisfazer as necessidades do mercado, seja porque a empresa ou até mesmo o produto/serviço não atendiam os desejos do consumidor. Normalmente, isso ocorre quando o empreendedor acha que teve uma grande ideia, mas não consulta o mercado e valida sua hipótese para saber se essa ideia é o que os consumidores esperam, precisam ou querem.


Em segundo lugar, com 29% das respostas, as empresas ficaram sem dinheiro para continuar operando. A falta de capital de giro ou para investimento pode ocorrer quando não existe um planejamento estratégico financeiro ou até mesmo na falta de conhecimento técnico sobre administração financeira.


Dizem os especialistas em finanças que “uma empresa não fecha por falta de capital, e sim por problemas no fluxo de caixa”.


Alguém pode ser um ótimo chef de cozinha, fazer pratos deliciosos e atender bem seus clientes, mas não tem a menor ideia de como administrar o fluxo de capital do seu negócio, tornando sua operação totalmente ineficiente.


Em terceiro, 23% afirmaram que trabalhavam com a equipe errada, o que é um erro muito comum e difícil de se resolver, especialmente, no caso de empresas familiares ou quando os sócios têm algum tipo de relação de amizade.


As pessoas vão sendo “encaixadas” nas posições onde não necessariamente podem contribuir mais ou dar o seu melhor. Mas a razão principal gira em torno da falta de capacidade ou condições de atrair os melhores talentos, seja por remuneração ou mesmo por falta de posicionamento claro da empresa.


As demais causas tiveram menos de 20% das respostas na seguinte ordem decrescente:

  1. 4. Perderam para a concorrência dura;

  2. 5. Problemas de custo/preço;

  3. 6. Oferecer um produto ou serviço pouco amigável para o usuário;

  4. 7. Falta de um modelo de negócio adequado;

  5. 8. Estratégias de marketing mal definidas ou implementadas;

  6. 9. Ignorar os atuais e futuros clientes;

  7. 10. Produtos ou serviços que são considerados confusos ou inúteis pelo próprio cliente ou pelo mercado.

Uma visão semelhante e por outro prisma


Em outro estudo, realizado pela McKinsey & Company, é possível identificar que a taxa de mortalidade das empresas brasileiras é muito alta, pois dois terços dos negócios fecham as portas em até cinco anos.


Entre as principais razões, o estudo aponta:

  1. 1. Falta de clientes

  2. 2. Falta de capital para investimento ou fluxo de caixa

  3. 3. Desconhecimento estratégico e técnico para administrar a empresa.

No mesmo estudo, vemos que o mercado brasileiro é menos favorável a fazer negócios, em 10 itens avaliados internacionalmente, quando comparado com outros países segundo o Doingbusiness.org desenvolvido pelo Banco Mundial.


Em 2010 o Brasil estava em 127º lugar no ranking de facilidade em fazer negócios e em 2018 evoluiu para 109º lugar, o que já seria muito pouco. Entretanto, analisando números atualizados em 2020, o país caiu novamente caiu para 124º lugar, uma péssima colocação considerando que o Brasil é uma das 10 maiores economias do mundo.


Repare no gráfico abaixo, como Brasil, Rússia, Índia e China (você se lembra do BRIC?) reagiram de forma diferente no combate à burocracia.





É possível analisar que o país está muito mal colocado, considerando o destaque negativo para a alta carga tributária (184º), dificuldade de obtenção dos alvarás de construção (170º) e burocracia para a abertura de empresas (138º).





Além disso, ainda segundo o Banco Mundial, as dificuldades não residem somente na abertura da empresa no Brasil, sendo que fechar uma empresa no país é ainda mais caro e burocrático, pois o custo total para o encerramento de uma empresa pode ser até 44% mais alto do que o investido para abrir a empresa.


E durante este período da Covid-19?


Dados do SEBRAE apresentam uma triste realidade para o país. Até o momento 600 mil micro e pequenas empresas fecharam suas portas, por causa desse momento sensível que o mundo vive. Também, 62% dos negócios interromperam temporariamente as atividades ou fecharam completamente, somando um total de 9 milhões de funcionários demitidos.


Ainda, segundo esse mesmo estudo do SEBRAE, 30% dos empresários tiveram que buscar empréstimos para manter seus negócios, entretanto, 29,5% destes ainda aguardam uma resposta das instituições financeiras e 59,2% simplesmente tiveram seus pedidos negados, colocando-os em uma situação financeira desesperadora.


Infelizmente, ainda há bastante desconhecimento por parte dos empresários a respeito das linhas de crédito que estão sendo disponibilizadas, seja para manutenção da folha de pagamento ou para renegociação de débitos, por exemplo, 29% não conhecem as medidas oficiais e 57% apenas ouviu falar a respeito.


Mas então não tem jeito?


Resiliência é a propriedade que alguns corpos têm de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica de maior ou menor intensidade.


O Brasil tem em sua história provas inquestionáveis desta capacidade, invariavelmente originadas no empreendedor brasileiro.


Como em qualquer crise, o que podemos afirmar é que as pessoas ou empresas que passam de maneira menos traumática por estes períodos, são aquelas que estavam mais bem preparadas para uma situação de emergência. Seja porque têm mais reservas no caixa, linhas de crédito pré-aprovadas, eficiência operacional, agilidade para mudanças de direção e, na maioria das vezes, equipes e tecnologias que viabilizam este cenário positivo.


O que também podemos concluir é que os empreendedores deste país desenvolvem competências que são diferenciais nestes momentos e por isso superam e saem menos machucados do outro lado.


Mas o que também está ficando evidente é que não é possível dominar todas as competências e habilidades sozinho, por isso precisamos sempre estar perto de profissionais, empresas e fornecedores que sejam, de fato, nossa equipe estendida e que não entrem em nossa folha de pagamento.



Helio Azevedo, administrador de empresas com MBA em Marketing, com mais de 25 anos de experiência como gestor de Vendas e Marketing, foi gerente do Windows na Microsoft, diretor de SMB e VP de e-commerce e CRM na SAP e sócio fundador da SalesTalent, empresa especializada em consultoria e treinamentos de vendas. Nos últimos anos, se dedica a marketing digital e aceleração de negócios para empresas em crescimento como co-fundador e CSMO da BBX.

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